ADVOGADO SISTÊMICO

 

A ideia não é estabelecer um “conceito” fechado sobre como é o advogado sistêmico ou o direito sistêmico, pois são temas novos e em crescimento estudo.

Não se trata de uma “disciplina” do Direito e sim de uma “postura”, da ampliação do olhar do operador de direito diante dos conflitos que lhe são apresentados.

A expressão “direito sistêmico” foi utilizada primeiramente pelo juiz da Bahia, Exmo. Dr. Sami Storch, que percebeu a possibilidade da análise das demandas à luz das “leis humanas” (ou “leis sistêmicas”) aplicadas nas constelações familiares, com intuito de maior efetividade nas decisões e real pacificação dos conflitos que lhe eram apresentados.

Estas mencionadas “leis humanas” ou “leis sistêmicas” são, basicamente: 1ª) Pertencimento; 2ª) Ordem ou Hierarquia e; 3) Equilíbrio entre o dar e o receber.

A aplicação destas leis humanas na análise dos casos que são apresentados ao operador do direito, auxilia num melhor entendimento da questão a ser analisada e, consequentemente, na melhor aplicação das leis que realmente tragam uma solução harmônica àquele conflito e não o tornem ainda mais “pesado” e difícil.

Necessário ressaltar que o direito sistêmico não elimina a aplicação da lei ou de uma penalidade mas, sim, amplia o olhar do profissional para os sistemas de cada indivíduo e auxilia no entendimento sobre a origem do conflito que impulsionou o cliente a procurá-lo!

Na aplicação da análise sistêmica, há necessidade de que as partes estejam dispostas a tomar consciência das responsabilidades que lhe cabem e que geraram aquele conflito, liberando-se da posição acusatória, bem como estejam abertas a entender realmente o conflito e a tomada de consciência!

Naturalmente, com a tomada de consciência sobre o conflito, vem o desconforto, algumas responsabilidades, que talvez as partes não estejam preparadas para assumir, merecendo, então, serem olhadas com amor e respeito pelo profissional que lhes serve pois, enquanto seres humanos, todos estamos em diferentes níveis de consciência!

Nessa linha, o profissional do direito é um instrumento que observa o “todo” através da aplicação das leis sistêmicas e, a partir disso, busca trazer a consciência das partes p/ os verdadeiros motivos da existência daquele conflito e, assim, alcançar efetivamente a sua pacificação!

O advogado não necessariamente aplica a “constelação familiar” em seu atendimento, mas sendo conhecedor das leis sistêmicas atua numa postura “escutativa”, sem julgamentos, com maior sensibilidade, responsabilidade e cuidado ao tratar das demandas, pois tem consciência dos sentimentos envolvidos e, acima de tudo, de que trata-se de pessoas, de seres humanos, atuando como um facilitador à uma solução harmônica!

Reflexo disso, no judiciário, é a diminuição da reincidência das demandas e recursos propostos! Para as partes: a paz!

Quem não busca a paz?

Quem não deseja viver em harmonia com os seus?

Quem não deseja crescer como ser humano?

Nessa toada, o papel do advogado numa demanda judiciária é, a meu sentir, trazer à tona a consciência da origem daquele conflito e apresentar ao Magistrado o pedido que melhor pacifica as partes envolvidas! Entretanto, o advogado sistêmico não é melhor ou pior que os demais, possui apenas um jeito diferente de atuar!

O advogado, constitucionalmente, é conceituado como “indispensável à administração da JUSTIÇA” (artigo 133, CRFB). Portanto, estamos servindo muito mais que aos nossos clientes, mas sim, a um propósito maior: à própria sociedade e à VIDA!

E VC, prefere um profissional mais “combativo” ou “pacificador”?

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